Sem cadastro

Descubra em 5 minutos que personalidade você tem e qual profissão combina com você

Descubra em 5 minutos que personalidade você tem.

Leva só alguns minutos · 16 testes em um só lugar

Leva só alguns minutos · 16 testes em um só lugar

Início / Guias / Relacionamentos e comunicação / Linguagens do afeto para crianças - como os filhos recebem amor
Relacionamentos e comunicação

Linguagens do afeto para crianças - como os filhos recebem amor

Chapman e Campbell levaram as cinco linguagens do afeto para a criação dos filhos. Por que a criança precisa das cinco e o que a pesquisa do apego acrescenta.

Duas crianças, mesmos pais, mesma criação. A filha mais velha se ilumina quando você diz que o desenho ficou muito bom; ela sai mostrando para todo mundo e guarda o seu “ficou lindo” como um tesouro. O filho mais novo dá de ombros diante do mesmo elogio. Mas sente-se no chão e monte Lego com ele por uma hora, e no dia seguinte ele é uma criança mais calma e mais feliz.

Não é que uma ame mais e a outra menos. Cada uma apenas recebe o afeto por uma porta um pouco diferente. Descubra qual porta e você se poupa de muitos momentos de se esforçar ao máximo sentindo que nada disso chega à criança. Gary Chapman e o psiquiatra infantil Ross Campbell pegaram essa ideia e a levaram dos relacionamentos amorosos para a criação dos filhos.

De onde vieram as linguagens do afeto para crianças

As linguagens do afeto foram popularizadas pelo terapeuta de casais e pastor batista norte-americano Gary Chapman em um livro de 1992. Cinco anos depois, em 1997, ele e Ross Campbell as estenderam às crianças em The 5 Love Languages of Children. As cinco categorias continuaram as mesmas, apenas traduzidas para a língua de pais e filhos: palavras de reconhecimento, tempo compartilhado, pequenas lembranças, ajuda concreta e proximidade física.

Vale a mesma ressalva da versão adulta. Chapman tirou as categorias da prática de aconselhamento, não da pesquisa, e com crianças o conceito se apoia em um terreno ainda mais frágil do que com casais. Isso não faz dele uma bobagem, mas também não faz dele uma classificação verificada. Percorremos o conjunto inteiro, e onde ele bate de frente com os dados, no guia das cinco linguagens do afeto. A boa notícia: os conselhos que ele gera para crianças se sustentam mesmo sob uma psicologia do desenvolvimento mais sóbria.

Com crianças não se sai à caça de “a” linguagem

Aqui está a maior diferença em relação aos adultos. Com um parceiro, perguntar qual canal combina mais com ele faz algum sentido; com uma criança, isso é armadilha. Uma criança pequena precisa das cinco, e nenhuma pode ser riscada sem custo.

As preferências das crianças ainda estão se formando e mudam com a idade. Um bebê vive sobretudo de toque e proximidade. Uma criança pequena que quer colo o dia inteiro pode, alguns anos depois, virar um estudante cuja maior alegria é uma hora chutando bola com você. Seguir uma única “linguagem principal” como tabela ignora que a criança é um alvo em movimento.

A metáfora que os críticos de Chapman usam para adultos serve em dobro para crianças: o afeto funciona menos como uma língua nutritiva e mais como uma dieta variada. Uma criança precisa de abraços, reconhecimento, tempo junto e ajuda prática ao mesmo tempo, não de um às custas dos outros. Por que ninguém demonstrou de forma confiável que combinar a linguagem “certa” funciona, nem mesmo em adultos, é o que destrinchamos no texto sobre o que a ciência não confirma sobre as linguagens do afeto.

Daí um primeiro alerta. Um rótulo como “ele é a criança dos presentes” ou “ela é a que gosta de colo” soa simpático, mas em uma criança ainda em formação pode fazer mal. Escorrega com facilidade para uma profecia autorrealizável que o pai ou a mãe passa a alimentar enquanto deixa o resto passando fome.

O que diz a psicologia do desenvolvimento

As linguagens do afeto são um atalho popular. Por baixo delas existe algo com base científica muito mais firme que Chapman deixa de fora: a teoria do apego. O que mais importa não é qual gesto você escolhe, e sim se você responde ao que a criança sinaliza agora.

A psicóloga Mary Ainsworth mostrou nos anos 1970 que a formação de um vínculo seguro na criança não é prevista pela renda da família nem pelo número de brinquedos, e sim pela responsividade sensível, a capacidade de quem cuida de perceber os sinais da criança e responder a eles de forma adequada. Não se trata de ser perfeito, e sim de a criança experimentar, repetidas vezes, que quando ela chama alguém vem e entende. Como o vínculo se forma nos primeiros anos foi tema do artigo sobre o apego na infância.

Então trate as cinco “linguagens” como sinais que vale escutar em uma criança específica, não como gavetas em que arquivá-la.

Com uma delas, tenha cuidado especial. Em crianças pequenas, a proximidade física não é uma preferência do tipo “esta aqui gosta de colo”, e sim uma necessidade biológica. Quando Harry Harlow, em 1958, deu a filhotes de macaco a escolha entre uma mãe de arame com leite e uma mãe macia sem comida, os filhotes passavam horas na macia; contato e calor pesavam mais do que a alimentação, tanto em macacos quanto em bebês humanos. O toque não é mimo que a criança supera, e sim o combustível de que todo o senso de segurança depende. Como necessidades diferentes de proximidade dão origem a quatro estilos de relacionamento é o que expomos no panorama dos quatro estilos de apego.

Como perceber como o seu filho recebe afeto

Então para que serve o conceito? Para observar mais de perto. A criança mostra o que mais lhe faz bem, ela só raramente diz isso em palavras.

Repare em algumas coisas. Uma é como a própria criança demonstra afeto, porque as crianças distribuem aquilo que mais querem de volta. A criança que vive trazendo desenhos e flores colhidas está falando de pequenas lembranças; a que se pendura no seu pescoço está falando de toque. Outra é o que ela pede em voz alta: “vem brincar comigo”, “olha o que eu sei fazer”, “me pega no colo”. E há ainda o que a acalma mais rápido quando ela está mal, cansada ou assustada.

Quando foi a última vez que você observou o que o seu filho faz no momento em que se sente mal e procura conforto, se ele se aconchega, se quer que você fique e converse, ou se só se acalma quando vocês estão fazendo algo juntos? A resposta muda ao longo dos anos, então esta é uma atenção contínua, não uma tarefa de uma noite.

Dicas práticas para cada linguagem

As cinco linguagens podem ser alimentadas de forma bem concreta. A coluna do “o que evitar” importa tanto quanto a do “o que fazer”, porque é o erro bem-intencionado que vira uma demonstração de afeto do avesso.

Linguagem do afeto Como alimentá-la em uma criança O que evitar
Palavras de reconhecimento Elogiar o esforço específico, não só o resultado Um vazio “você é tão inteligente”, ou elogio só por nota alta
Tempo compartilhado Quinze minutos por dia de brincadeira sem distração, conduzida pela criança Estar presente só de corpo, com o celular na mão
Pequenas lembranças Uma coisinha com história: “eu vi e pensei em você” Um presente como recompensa, ou como substituto da ausência
Ajuda concreta Ajudar naquilo que a criança ainda não consegue fazer sozinha Fazer tudo por ela e tirar a chance de aprender
Proximidade física Abraços e carinho conforme a disposição da própria criança Forçar o toque quando a criança está se afastando

Com as palavras de reconhecimento, um detalhe contraria a intuição comum. Em um estudo de 1998, Claudia Mueller e Carol Dweck elogiaram um grupo de crianças, depois de um bom resultado, pela inteligência (“você é inteligente”) e outro pelo esforço (“você deve ter trabalhado duro”). Seria de esperar que o elogio à inteligência estimulasse mais a criança. Aconteceu o contrário. As crianças elogiadas pela inteligência passaram a escolher tarefas mais fáceis para não perder o rótulo, encararam pior o fracasso e algumas até mentiram sobre a pontuação. As crianças elogiadas pelo esforço buscaram problemas mais difíceis e persistiram mais. Daí o conselho: elogie o processo, não o resultado.

Com a proximidade física a regra vai no sentido inverso: menos sobre acrescentar, mais sobre respeitar um limite. Nunca force o toque. Quando uma criança se afasta, não quer colo ou não quer dar um beijo na avó, esse é o sinal dela, não falta de educação. A proximidade forçada ensina o contrário do que você pretende, que o “não” dela sobre o próprio corpo é algo que ninguém leva a sério. Onde o toque como demonstração de afeto encontra os seus limites também em adultos é o que cobrimos no perfil da linguagem da proximidade física.

E ajuda voltar a atenção para si. Um pai ou uma mãe costuma distribuir a própria linguagem no automático e ignorar as outras. Um pai para quem o afeto é ajuda prática cozinha e leva os filhos às atividades, mas esquece de elogiá-los; uma mãe que vive pelo toque continua fazendo carinho e não dá à criança espaço para conquistar algo sozinha. Os pais podem mapear o próprio perfil com o Teste das linguagens do afeto e comparar com o parceiro o que cada um traz para a família. O teste é para adultos; com crianças, a melhor ferramenta continua sendo a observação simples.

O que evitar com crianças

Não condicione demonstrações de afeto ao desempenho. Um abraço ou um elogio distribuído “como recompensa” por notas ensina à criança que o afeto precisa ser conquistado. A aceitação que ela leva para os relacionamentos adultos deve ser incondicional. O comportamento continua importando, mas o sentimento cru de “eu amo você” nunca pode depender de resultados.

Nunca use uma linguagem do afeto como castigo. Negar um abraço ou tempo junto quando a criança se comporta mal parece uma alavanca inofensiva. Mas isso faz do afeto refém. O castigo deve apontar para o comportamento, não para a proximidade. “Estou com raiva agora, mas continuo amando você” é completamente diferente do silêncio e do afastamento, que a criança lê como “não amo mais você”.

Não encaixote a criança em uma linguagem. A frase “ele é a criança dos presentes” pode soar como compreensão, mas fecha a criança em um compartimento e dá ao pai ou à mãe uma desculpa para pular o resto. Uma criança não é um tipo que se resolve aos cinco anos, e sim uma pessoa cujas necessidades ainda estão nascendo e ainda mudam.

As linguagens do afeto funcionam melhor com crianças como lembrete, não como diagnóstico. Ofereça as cinco e observe o que chega agora. O seu filho vai mostrar por qual porta o afeto chega com mais força, e um ano depois pode mostrar uma completamente diferente. O seu trabalho não é acertar a única linguagem correta, e sim manter atenção suficiente para escutá-la sempre que ela mudar.

Teste recomendado

Experimente: Teste das linguagens do afeto

Descubra mais sobre você: o teste é gratuito e os resultados chegam na hora.

Começar o teste

Mais artigos na categoria Relacionamentos e comunicação