As pessoas que reagem com mais intensidade à sobrecarga não a vivem apenas com mais força. Elas passam por ela com mais frequência. Jerry Suls e René Martin, numa revisão de 2005, descreveram uma cadeia em que, nas pessoas emocionalmente reativas, várias coisas se somam de uma vez: elas esbarram em mais aborrecimentos pequenos, reagem a eles com mais força, voltam à calma mais devagar e o mau humor transborda de uma área da vida para outra.
Daí decorre algo prático. O estresse não se mede pelo tamanho da situação, e sim por onde ele se instala em você e por quanto tempo fica ali. E é exatamente nisso que os quatro temperamentos clássicos diferem a ponto de os perfis de estresse deles poderem ser descritos quase como quatro línguas diferentes.
Quatro formas de o estresse aparecer
Colérico: para fora e rápido
No colérico, a tensão vai direto para fora. O pavio encurta, a voz sobe e as frases voam mais rápido que os pensamentos. Uma bobagem que numa semana calma passaria batido o irrita, e a resposta ao e-mail sai antes de ele terminar de ler o segundo parágrafo.
A vantagem é que um estresse desses dá para reconhecer. A desvantagem é o preço que quem está em volta paga, e mais uma armadilha em que os coléricos caem quase com regularidade. Brad Bushman, em um experimento de 2002, mandou parte dos participantes irritados socar um saco de pancadas, supostamente para aliviar. Quem, enquanto batia, ficava repassando mentalmente o que o tinha irritado ficou mais agressivo depois da descarga do que o grupo que não fez nada. Botar para fora repassando a ofensa, portanto, não diminui a raiva: mantém ela viva.
O que funciona melhor: movimento sem história. Caminhada rápida, bicicleta ou academia, mas sem ficar repassando a reunião na cabeça enquanto isso. E mais uma regra dura para as mensagens desagradáveis: escrever, salvar, enviar só depois da segunda leitura. Como conviver com um colérico quando você é a outra pessoa da sala está no texto à parte sobre como lidar com uma pessoa colérica.
Melancólico: para dentro e por muito tempo
O melancólico não explode. Ele guarda. A situação depois fica rodando na cabeça à noite, de madrugada e na hora de lavar a louça, e a cada rodada aumentam os cenários de como aquilo tudo poderia ter dado ainda mais errado.
Esse modo tem nome próprio na literatura especializada: ruminação. Susan Nolen-Hoeksema dedicou décadas de pesquisa a ele e mostrou repetidas vezes que as pessoas com estilo ruminativo de enfrentamento permanecem de mau humor por mais tempo do que aquelas que passam à ação. A ruminação, aliás, dá a impressão subjetiva de estar resolvendo um problema. A diferença é que resolver um problema termina em decisão, ao passo que a ruminação termina em cansaço.
O que ajuda: escrever a preocupação num papel e acrescentar a ela uma única coisa que você vai realmente fazer. Funciona bem também reservar um horário para as preocupações, ou seja, quinze minutos por dia para pensar no que pesa, e o resto do dia se espera. O curioso é que aquilo funciona mesmo quando parece truque para você. Mais sobre esse tipo está no perfil do temperamento melancólico.
Sanguíneo: dispersar e seguir
O sanguíneo primeiro fragmenta o estresse. Pula de uma tarefa para outra, atende o telefone no meio de outro trabalho, combina um programa para a noite e à noite não sabe para onde o dia foi. A tensão não se acumula num ponto só, ela se espalha em dez atividades.
No curto prazo, isso funciona surpreendentemente bem. O sanguíneo se recompõe de um dia ruim até de manhã e não carrega mágoas. O problema começa quando a coisa desagradável precisa ser resolvida e a única estratégia é desviar a atenção. Um conflito pendente, um telefonema adiado ou uma conta que não dá para esquecer não somem debaixo do tapete.
O sinal de alerta é específico e vale conhecer: o humor encenado. No momento em que você sorri para as pessoas e por dentro há um vazio, é porque se acumulou mais do que você está disposto a admitir. O que ajuda é uma coisa desagradável por dia resolvida em primeiro lugar, de preferência antes de abrir o e-mail.
Fleumático: segura muito tempo e depois cai
O fleumático aguenta mais que todos e é nele que menos se vê. Ele carrega a tensão por meses sem levantar a voz, e por isso quem está em volta o considera alguém que nada abala. Justamente por isso a reação de estresse dele chega mais tarde e costuma ser a mais pesada.
Adriana trabalhou oito meses num projeto que a cada duas semanas virava outra coisa. Não reclamava, encarava as horas extras como parte do pacote e levava café para os colegas. Numa terça de manhã, estacionou na frente do escritório, desligou o motor e não conseguiu sair do carro. Não era raiva, não era choro, apenas a impossibilidade de dar o passo seguinte. Ninguém na equipe esperava aquilo, porque até ali ela não tinha demonstrado absolutamente nada.
No fleumático, o sinal de alerta mais importante é a própria apatia. Quando você não tem vontade nem daquilo de que normalmente gosta, já não é calma, é fuga. O que ajuda é criar uma válvula regular para fora: uma vez por semana, dizer a alguém em voz alta o que foi mais difícil nos últimos dias, mesmo que nada de dramático tenha acontecido.
E se você reconhece dois perfis em si?
Tipo puro é raro. A maioria das pessoas tem um temperamento principal e, junto dele, um toque que se manifesta sob pressão como segunda onda. O colérico com toque melancólico primeiro explode e depois passa a noite inteira se cobrando pelo que disse. O fleumático com toque sanguíneo mantém o sorriso mesmo no momento em que por dentro já não sobrou nada.
A consequência prática é que você precisa vigiar dois sinais em vez de um. O primeiro chega rápido e é visível; o segundo chega com atraso e acontece em silêncio. As pessoas em volta em geral registram apenas o primeiro, então o segundo é você quem tem que vigiar.
Como reconhecer os próprios sinais de alerta
Quando foi a última vez que você descobriu que estava sob estresse só no momento em que outra pessoa disse isso a você? Se a pergunta soa familiar, você não está sozinho. O nosso próprio estresse é o que reconhecemos pior, justamente porque ele se manifesta de um jeito que consideramos normal em nós.
É útil procurar a mudança, não o estado. A questão não é se você está irritado, e sim se está mais irritado que um mês atrás. Alguns sinais que merecem atenção:
- Sono: não dá para pegar no sono por causa de uma única frase, ou você acorda às três da manhã e a cabeça já dispara.
- Paciência encurtada com pessoas com quem normalmente você não tem problema, tipicamente em casa.
- Coisas de que você gosta de repente não valem o esforço de começar.
- O corpo fala antes da cabeça: mandíbula travada, ombros duros, estômago, respiração curta.
- Repertório encolhido. Você para de cozinhar, de treinar ou de ligar para os amigos, ou seja, exatamente o que mais ajudaria.
- Uma frase recorrente na cabeça, que você repete sempre igual, sem nenhuma mudança.
Quem quiser esclarecer o próprio perfil mais rápido pode começar pelo tipo. O teste de temperamento tem 24 perguntas e leva cerca de quatro minutos, e o resultado inclui também a descrição de como o seu tipo principal e o toque dele se comportam sob pressão. Trata-se de autoconhecimento aproximado, não de diagnóstico, mas como ponto de partida para se observar ele já serviu a muita gente melhor do que conselhos genéricos.
Estratégia sob medida para o temperamento
Os conselhos genéricos para lidar com o estresse falham sobretudo porque recomendam a mesma coisa a todos os tipos. Meditar em silêncio é alívio para o melancólico e castigo para o sanguíneo. Uma caminhada rápida acerta o colérico e não tira o fleumático da apatia.
| Temperamento | Por onde o estresse sai | O que costuma ajudar | O que evitar |
|---|---|---|---|
| Colérico | Para fora, rápido e alto | Esforço físico sem ficar repassando a situação, envio adiado de mensagens | Descarregar a raiva repetindo para si o que irritou você |
| Melancólico | Para dentro, devagar e por muito tempo | Escrever, um próximo passo concreto, tempo delimitado para as preocupações | Mais uma rodada de pensamento como tentativa de solução |
| Sanguíneo | Para os lados, dispersa-se em atividades | A coisa desagradável como primeira tarefa do dia, dividir com alguém próximo | Encher-se de programas para não sobrar tempo de pensar |
| Fleumático | Para lugar nenhum, fica dentro e se acumula | Dizer as coisas em voz alta com regularidade, um primeiro passo pequeno, estrutura firme do dia | Esperar para ver se aquilo não se resolve sozinho |
Vale mencionar um procedimento que serve a todos os tipos e tem bom respaldo na pesquisa sobre regulação emocional. James Gross e Oliver John (2003) compararam duas estratégias: reavaliar a situação e suprimir a expressão. As pessoas que sabiam reenquadrar a situação estavam melhor em todos os aspectos do que aquelas que apenas seguravam a emoção por fora. É que a supressão não diminui o que acontece por dentro, só esconde. Fleumáticos e melancólicos estão mais perto dela, e por isso vale mais a pena, para eles, trabalhar a forma como interpretam a situação do que aquilo que não deixam transparecer. Os procedimentos gerais que funcionam independentemente do tipo estão no texto sobre como lidar com o estresse.
No trabalho, isso ganha mais uma camada. Um mesmo ambiente pesa de forma diferente em cada tipo: o escritório aberto suga o melancólico, as rodadas de aprovação massacram o colérico, mudanças repentinas sem preparo pegam o fleumático. O texto sobre temperamento no trabalho entra em mais detalhe sobre onde cada um trabalha bem.
Quando parar de pensar no tipo e procurar um profissional
O temperamento explica o estilo, não a intensidade. No momento em que as dificuldades passam de certo limite, a pergunta “que tipo eu sou” deixa de ser útil e passa a caber ajuda especializada.
Algumas situações podem ser tomadas como esse sinal. As dificuldades duram várias semanas e não melhoram, mesmo com a pressão externa tendo diminuído. O sono não funciona por um tempo prolongado. Você não dá conta das obrigações comuns no trabalho ou em casa. Aparece desesperança, perda prolongada de interesse por tudo, ou pensamentos de autolesão. Nesse último caso, cabe procurar ajuda sem adiar, seja no clínico geral, no psicólogo ou numa linha de apoio em crise.
Nenhum teste de personalidade avalia isso, e nem se destina a isso. A descrição do tipo ajuda você a entender por que reage justamente assim, mas não substitui uma avaliação profissional e com certeza não substitui tratamento. O sensato é tomá-lo como mapa do terreno, não como laudo médico.
Nas próximas duas semanas, tente escrever toda noite uma palavra sobre como você estava. Nada além disso, uma palavra. Depois de catorze dias você vai ver no papel um padrão que na cabeça se funde num longo “tá indo”, e vai identificar também o dia em que aquilo começou a mudar.

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