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Trabalho e produtividade

O seu estilo de trabalho - como você rende melhor?

As 7 dimensões do estilo de trabalho e como usá-las para render mais, escolher o ambiente certo e parar de se comparar com quem trabalha diferente.

Você está em um escritório aberto e o colega ao lado acabou de ligar um podcast na caixa de som. “Isso me ajuda a me concentrar”, ele diz. Você tem vontade de estrangulá-lo com o fio do seu fone de ouvido. Ele prospera no caos. Você precisa de silêncio. Qual dos dois está trabalhando “do jeito certo”?

Os dois. Estilo de trabalho não é uma questão de certo ou errado. É uma questão de encaixe entre a forma como você trabalha e o ambiente em que trabalha. E o primeiro passo para uma produtividade duradoura é entender o seu próprio estilo.

O que é estilo de trabalho e por que ele importa

Estilo de trabalho é um padrão estável na forma como você aborda tarefas, organiza o seu tempo, se comunica com colegas e reage à pressão. Não é a mesma coisa que personalidade, embora os dois se sobreponham. Duas pessoas introvertidas podem ter estilos de trabalho completamente diferentes: uma minuciosa e metódica, outra criativa e caótica.

As pesquisas sobre ambientes de trabalho chegam sempre à mesma conclusão: pessoas cujo ambiente de trabalho combina com o seu estilo são mais produtivas e visivelmente mais satisfeitas do que aquelas que lutam todos os dias contra o que está ao redor. O encaixe entre pessoa e ambiente não é um detalhe: é um motor silencioso do desempenho.

7 dimensões do estilo de trabalho

Estilo de trabalho não é uma escala única que vai de ruim a bom. É um perfil em sete dimensões, cada uma com dois polos. Em que ponto você se encaixa?

1. Estrutura: quem planeja vs. quem improvisa

Quem planeja começa o dia com uma lista de tarefas, usa a agenda como sistema de navegação e fica desconfortável quando os planos mudam no meio do caminho. Quem improvisa acompanha o momento, reage ao que aparece e acha os planos rígidos sufocantes.

Quem planeja se destaca em gestão de projetos e em processos repetíveis. Quem improvisa brilha em situações de crise e em funções criativas nas quais a previsibilidade é uma ilusão.

2. Colaboração: quem pensa em grupo vs. quem prefere o modo solo

Algumas pessoas pensam em voz alta. Precisam de discussão, de brainstorming, de jogar ideias para alguém devolver. Outras precisam de espaço para processar as coisas por conta própria primeiro e só então apresentar um resultado pronto.

O interessante é que isso não corresponde direitinho à introversão e à extroversão. Você provavelmente conhece alguém sociável que rende melhor sozinho. Ou uma pessoa quieta que, paradoxalmente, precisa de pelo menos alguém para debater na equipe.

3. Ritmo: sprint vs. maratona

Quem trabalha em sprint atua em picos intensos. Muito esforço, depois uma pausa. Prazo chegando? Perfeito, esse é o seu elemento. Quem trabalha em maratona mantém um ritmo constante. Não vai se esgotar, mas também não vai produzir milagres da noite para o dia.

Nenhuma das duas abordagens é superior. Mas os problemas aparecem quando quem trabalha em sprint está em uma cultura que espera uma entrega uniforme por oito horas todos os dias. Ou quando quem trabalha em maratona enfrenta um ambiente cheio de prazos urgentes.

4. Iniciativa: postura proativa vs. reativa

Quem é proativo procura o que precisa ser feito. Propõe mudanças e identifica problemas antes que eles aconteçam. Quem é reativo espera instruções, mas depois as executa com confiabilidade e precisão.

Em uma startup, você precisa de pessoas proativas. Em uma sala de cirurgia, você quer profissionais de enfermagem que sigam com exatidão as orientações de quem opera, e não que improvisem. O contexto decide tudo.

5. Detalhe: quem busca perfeição vs. quem enxerga o todo

Quem busca perfeição confere, reescreve e lapida os detalhes. Entrega menos, mas com qualidade impecável. Quem enxerga o todo vê o quadro grande, a estratégia, a direção, e os detalhes atrasam essa pessoa.

Lembra de Steve Jobs? Ele era um híbrido raro: alguém de visão ampla obcecado por detalhes. A maioria de nós, porém, pende para um dos polos. E isso é perfeitamente adequado, desde que você saiba para qual.

6. Risco: abordagem conservadora vs. experimental

Uma abordagem conservadora minimiza erros. Uma abordagem experimental maximiza a inovação. As duas têm valor e as duas têm um custo.

Uma empresa em que todo mundo é conservador nunca vai criar um produto revolucionário. Uma empresa cheia de gente experimental nunca vai entregar um serviço estável. Na prática, você precisa das duas coisas, mas cada pessoa pende naturalmente para um dos lados.

7. Variedade: foco único vs. multitarefa

Quem prefere foco único quer uma tarefa e concentração profunda. Quem prefere multitarefa alterna entre atividades e tira energia da variedade. As pessoas confundem com frequência preferência e capacidade. Parte de quem trabalha em multitarefa seria de fato mais produtiva se permitisse a si mesma fazer uma coisa de cada vez por um tempo.

Como conhecer o seu estilo de trabalho aumenta a produtividade

Entender o próprio estilo dá três coisas a você:

  1. Você pode desenhar o seu ambiente. Se você trabalha em sprint e no modo solo, negocie dois dias de trabalho de casa por semana e trabalhe em blocos concentrados. Se você trabalha em maratona e se orienta pela equipe, procure um escritório com colegas e uma rotina estável.
  2. Você pode comunicar as suas necessidades. “Preciso da instrução até sexta para conseguir planejar a semana que vem.” É o que diz quem planeja. Isso não é reclamação. É um manual de instruções para trabalhar com essa pessoa.
  3. Você pode parar de se comparar. O colega que faz malabarismo com três projetos ao mesmo tempo não é necessariamente melhor do que você. Ele tem outro estilo. Você talvez trabalhe em um projeto só, mas com uma profundidade que ele nunca vai alcançar.

Exemplo: Lucas e a sua descoberta

Lucas, desenvolvedor em uma empresa brasileira de tecnologia, passou anos com a sensação de ser lento. Os colegas despejavam código enquanto ele fazia anotações, desenhava diagramas e pensava nas coisas com calma. Sentia-se insuficiente. Então o gerente lhe mostrou uma estatística: o código de Lucas tinha o menor número de erros da equipe inteira. Ele não era lento. Era minucioso. O seu estilo de trabalho (planejamento, modo solo, foco no detalhe) simplesmente parecia “lento” em comparação com as pessoas experimentais e de sprint ao seu redor.

Assim que entendeu isso, ele parou de se estressar e começou a comunicar o seu estilo: “Preciso de um dia a mais, mas o código vai sair limpo.” A equipe se adaptou e o desempenho geral melhorou.

Como aplicar o seu estilo de trabalho na prática

Na busca por emprego

Antes de enviar um currículo, pergunte-se: de que tipo de ambiente de trabalho eu preciso? Startup ou corporação, remoto ou presencial, trabalho solo ou reuniões de equipe. O seu estilo de trabalho é um filtro que pode poupar anos em uma função errada.

Ao liderar uma equipe

Quem gerencia e conhece o estilo de trabalho da sua gente consegue montar duplas complementares. Quem planeja e quem improvisa se equilibram quando se entendem. Quem busca perfeição e quem enxerga o todo formam uma dupla forte quando respeitam o que o outro traz.

Ao se desenvolver

Você não precisa mudar o seu estilo. Mas ajuda desenvolver a capacidade de trocar de marcha. Quem trabalha em sprint e aprende a funcionar em modo maratona dá conta de uma variedade maior de situações. A preferência não mudou. O repertório aumentou.

Quer identificar o seu estilo de trabalho com mais precisão? Experimente o teste de estilo de trabalho, que mapeia o seu perfil em cada dimensão e ajuda a encontrar o ambiente em que você vai ser produtivo de verdade.

Porque produtividade não é fazer mais. É fazer o que combina com você, do jeito que combina com você.

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