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Psicologia e bem-estar

Jetlag social: por que a segunda-feira pesa tanto

Duas horas de diferença entre o sono da semana e o do fim de semana bastam para embaçar a segunda. O que é jetlag social e como reduzi-lo pela metade.

Rafael coloca o despertador para as 6:15 durante a semana. No sábado dorme até as dez, porque finalmente pode. Na segunda de manhã, ele senta na frente do café com a sensação de ter acabado de descer de um voo transatlântico, mesmo tendo passado as últimas quarenta e oito horas dentro de casa.

Essa sensação não é preguiça nem tristeza pelo fim de semana que acabou. É um deslocamento mensurável do relógio interno, provocado pela própria pessoa ao viver dois dias por semana num horário diferente do dos outros cinco. O nome técnico disso é jetlag social e, em alguma medida, atinge a maioria de quem trabalha.

Dois tempos que se afastam

O conceito foi introduzido pelos cronobiólogos Till Roenneberg e Marc Wittmann em 2006. Eles deram nome à distância entre dois tempos que, na maior parte das pessoas, não andam juntos. O tempo biológico diz quando o corpo dormiria se ninguém o acordasse. O tempo social é definido pelo trabalho, pela escola, pelo horário da creche e pela saída do ônibus.

A distância dá para calcular num papel de cozinha. Basta achar o ponto médio do sono, ou seja, o momento exatamente no meio entre adormecer e acordar. Durante a semana Rafael pega no sono por volta das onze e meia e levanta às 6:15, então o ponto médio dele cai lá pelas três da madrugada. No fim de semana ele dorme depois da meia-noite e acorda às dez, o que empurra o ponto médio para as cinco. Essas duas horas de diferença são a dose pessoal de jetlag social dele.

Roenneberg depois reuniu dados de sono de dezenas de milhares de pessoas e apareceu que uma diferença de pelo menos uma hora existe na maioria da população. Uma parcela menor, mas nada desprezível, fica mais acima, na casa das duas horas ou além. Não é, portanto, esquisitice de uns poucos notívagos, e sim o estado comum de um adulto com horário fixo.

O jeito mais simples de perceber que os dois tempos se separaram é o despertador. Quem acorda sozinho no sábado mais ou menos na mesma hora que na terça tem biologia e agenda alinhadas. Quem, sem despertador, dorme duas horas a mais está passando a semana no crédito, e o corpo cobra sozinho no fim de semana. O despertador não sabe acordar numa fase adequada do sono, só na hora programada.

E agora a comparação que faz o termo funcionar tão bem. Na sexta à noite você empurra o sono uma ou duas horas e no sábado levanta mais tarde. O relógio interno lê isso de forma parecida a ter voado alguns fusos para o oeste. No domingo à noite você embarca no voo de volta para o leste, ou seja, na metade mais desagradável da viagem. Não tem aeroporto nem mala, mas a névoa da segunda tem.

Por que dormir até tarde não apaga a dívida

Recuperar sono no fim de semana não é inútil. Parte do déficit realmente dá para compensar, e depois de um sábado na cama até as dez a pessoa se sente melhor do que depois de cinco dias levantando no escuro.

O problema é o que acontece enquanto isso com os horários. O relógio interno se ajusta principalmente pela luz que chega à retina nas primeiras horas depois de acordar. Quando as cortinas ficam fechadas até as dez, o cérebro recebe o recado de que a manhã agora começa mais tarde. E adia junto o sono da noite: a melatonina, o hormônio cujo nível sobe ao anoitecer e acompanha a chegada do sono, é liberada mais tarde.

O domingo à noite vira então exatamente aquela cena que quase todo mundo conhece. Você está na cama, sabe que às seis o despertador toca, e não dorme. Nem precisa ser a ansiedade da segunda, embora ela apareça de bom grado. O corpo simplesmente ainda não está pronto para dormir, porque em dois dias se acostumou a outro começo de noite.

A manhã de segunda leva, portanto, não um golpe, mas dois. À noite curta se soma o fato de que às 6:15 o corpo está biologicamente em algum ponto no meio da madrugada. Daí a sensação de algodão na cabeça, contra a qual dois cafés não fazem nada. A cafeína disfarça o sono, o relógio ela não muda.

O que mais incomoda na névoa de segunda é como é fácil subestimá-la. Ao longo da manhã você se acostuma com o estado de alerta reduzido e para de notá-lo, só que atenção e velocidade de decisão não voltam apenas porque deixaram de reclamar. Uma negociação difícil, ou uma decisão que se desfaz mal, não combina com a manhã de segunda. Se der para passar para terça de manhã, vale a tentativa.

Vale registrar que o jetlag social não para no humor da segunda. A equipe de Roenneberg descreveu depois uma relação entre uma diferença maior de ritmo e um peso corporal mais alto. É uma associação estatística, não prova de causa, mas combina com o que as pessoas conhecem da própria cozinha: depois de um domingo mal dormido, dá vontade de pão com manteiga em vez de mingau de aveia.

Com quem isso acontece mais

O jetlag social não é distribuído com justiça. Os mais prejudicados costumam ser os tipos vespertinos, ou seja, as corujas, que precisam estar no trabalho às oito. O corpo delas naturalmente dormiria por volta da uma e acordaria por volta das nove, só que a escala diz outra coisa. Durante a semana dormem menos do que precisam e, no fim de semana, compensam esse déficit mais do que qualquer outro grupo.

Com os tipos matutinos é o contrário. Para a cotovia, o ritmo natural encaixa bastante bem no horário comercial, então ela levanta às sete no sábado também, e a diferença entre dia útil e dia livre fica em quinze minutos. Por isso ela quase não conhece jetlag social e sinceramente não entende do que os outros falam. Os pombos, no meio do eixo, ficam num ponto intermediário.

A segunda coisa que decide é a estabilidade do ritmo. Tem quem tenha ritmo fixo, e aí um deslocamento de uma hora desregula a pessoa por vários dias. Tem quem tenha ritmo flexível, se adapta em um único dia e, com o mesmo deslocamento, ninguém percebe nada. Duas pessoas com a mesma diferença de duas horas podem ter segundas-feiras completamente diferentes.

A idade também pesa. Os trabalhos de Mary Carskadon e de outros cronobiólogos mostraram que na puberdade o relógio interno se desloca para horários mais tarde e só volta a um ajuste mais cedo em algum momento depois dos vinte. Um adolescente que à uma da manhã não está com sono normalmente não está provocando. A biologia dele está em outro lugar que não o sinal da escola e, somando a primeira aula às sete e meia, o jetlag social nasce justamente na idade em que o sono é o ponto mais sensível.

Um guia aproximado de como cada tamanho de diferença costuma aparecer:

Diferença do ponto médioComo costuma aparecer
Até 30 minutosA segunda não difere muito da quinta, o ritmo se mantém.
De 30 a 60 minutosArranque mais lento na segunda, normalmente passa até o almoço.
De 1 a 2 horasNo domingo à noite custa pegar no sono, e a névoa toma a segunda e muitas vezes a terça.
Acima de 2 horasO ritmo quebra toda semana. A forma volta lá pela quarta, quando o fim de semana já está chegando de novo.

Antes de continuar lendo, faça a pergunta de forma concreta: quantas horas separam o ponto médio do seu sono no dia útil e no fim de semana? Uma estimativa grosseira das duas últimas semanas já serve. Quase ninguém calculou esse número alguma vez, e ele costuma sair mais alto do que se esperava.

Onde você fica no eixo entre a cotovia e a coruja é tratado com mais detalhe no guia de cronotipos. Se estiver em dúvida, um teste de cronotipo curto mostra sua posição nos dois eixos em poucos minutos.

Como reduzir a diferença sem perder o fim de semana

O conselho de levantar no sábado na mesma hora do trabalho é tecnicamente correto e praticamente inútil. Quase ninguém aguenta mais de três semanas, e o descanso também tem função. Faz sentido a versão mais branda, que comprime a diferença mais ou menos pela metade.

  • Durma um pouco mais, mas com limite. Uma hora além do horário de trabalho reduz a dívida e quase não mexe no relógio.
  • A luz logo depois de acordar faz mais do que qualquer despertador. Dez a vinte minutos ao ar livre, mesmo com nuvens, dão ao corpo um sinal claro de quando o dia começou.
  • Movimento pela manhã reforça esse sinal. Não precisa ser treino, ir a pé até a padaria já resolve.
  • Quando a vontade de recuperar sono é mesmo grande, um cochilo curto à tarde funciona melhor do que dormir até o meio-dia. Vinte minutos, até umas três horas, reduzem o cansaço sem estragar o sono da noite.
  • Na sexta, vigie mais a noite do que a manhã. Empurrar o sono em duas horas é o começo de todo o problema, e o horário de acordar no sábado só se adapta a isso.
  • A manhã de domingo é a alavanca da segunda inteira. Quem levanta mais perto do horário de trabalho e sai na luz antes do almoço, à noite dorme mais cedo.

Vale citar também o que não funciona. Dormir muito no fim de semana como substituto de noites cronicamente curtas é uma solução que desmorona sozinha toda semana, porque deixa a causa onde estava. Se dessas cinco noites de trabalho fosse possível tirar pelo menos trinta minutos a mais, a necessidade de compensar cai e, junto com ela, o impacto da segunda.

Uma observação prática para quem tem horário flexível: adiar o início em meia hora vale mais para uma coruja do que qualquer ritual noturno. O relógio interno se convence mal, enquanto a agenda de vez em quando se deixa convencer.

Mudança de horário e o sono que falta

O jetlag social não se resolve isolado, porque ele se soma a outras duas coisas. A primeira é a mudança para o horário de verão, que tira uma hora de todo mundo e funciona como um jetlag extra, só que aplicado a um país inteiro de uma vez. Quem já carrega duas horas de diferença no fim de semana acrescenta mais uma, e a segunda depois da virada fica pesada. O que acontece no corpo nessa transição e como amenizá-la está no texto sobre o horário de verão.

A segunda coisa é a necessidade total de sono. O jetlag social é questão de horário, a falta crônica de sono é questão de quantidade, e uma agrava a outra. Quando você dorme o suficiente, um deslocamento de uma hora te desregula menos do que se você estiver há meses vivendo com sete horas em vez de oito. Quanto sono é realmente suficiente e por que a resposta muda de pessoa para pessoa está num texto à parte sobre quantas horas de sono você precisa.

A segunda-feira se decide no domingo de manhã

Rafael acabou resolvendo sem promessas heroicas. Manteve o sábado dormindo até as nove, mas no domingo colocou o despertador para as oito. Tomou café da manhã na varanda e, antes do almoço, levou o cachorro para uma volta de uma hora. A noite de domingo dele se adiantou cerca de uma hora, e a névoa da segunda encolheu da manhã inteira para a primeira hora de trabalho.

A maioria das pessoas, no entanto, ataca por instinto o domingo à noite. Deitam mais cedo, contam carneirinhos e nada. A decisão tinha sido tomada um dia e meio antes, no sábado de manhã com as cortinas fechadas. Quem quer funcionar na segunda que vigie uma coisa só da próxima vez: a que horas vê a luz do dia pela primeira vez no fim de semana.

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