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Personalidade e autoconhecimento

Estilo DISC C (Conscienciosidade): o perfil do analista caprichoso

Estilo DISC C (Conscienciosidade): como o analista pensa e decide, pontos fortes, pontos cegos, comunicação, estresse, arquétipos e carreira.

Na reunião surge uma proposta e o clima da sala sobe visivelmente. Você pergunta de onde vem aquele número do terceiro slide. Silêncio. E, em um segundo, você virou quem freia.

Só que você não queria frear nada. Queria saber se o plano aguenta o primeiro contato com a realidade.

Esse instante é conhecido de qualquer pessoa cujo estilo dominante no DISC seja o C, ou seja, a conscienciosidade.

O que o estilo C significa no DISC

O DISC descreve o comportamento em dois eixos. O vertical é o ritmo: você age mais rápido ou de forma ponderada? O horizontal é a orientação: a sua atenção vai primeiro para a tarefa ou para as pessoas em volta? O estilo C fica no cruzamento do ritmo ponderado com a orientação para tarefas. Daí decorre quase todo o resto.

Antes de se mexer, você quer entender como aquilo funciona. Qualidade não é uma ambição para você, é o mínimo, e um erro no detalhe incomoda mesmo quando ninguém mais reparou. Não é exigência com os outros. É que uma coisa mal feita simplesmente atrapalha você.

O modelo foi construído pelo psicólogo americano William Moulton Marston no livro Emotions of Normal People, de 1928. O nome que ele deu ao quarto fator era completamente diferente do de hoje: ele falava em Compliance, ou seja, a adaptação às regras de um ambiente que a pessoa percebe como mais forte que ela. A leitura atual deslocou a ênfase da submissão para a precisão e a análise, e foi um deslocamento para melhor. Além disso, o próprio Marston não montou questionário nenhum; ele só surgiu nos anos 1950, com Walter Clarke. A história e os dois eixos estão detalhados no guia do DISC.

Mais uma coisa, para não haver confusão. A conscienciosidade no DISC descreve um modo de comportamento, não o traço de personalidade de mesmo nome do modelo Big Five, em que se trata do grau de autodisciplina e organização. A conscienciosidade como traço, do teste Big Five, está entre os preditores mais bem documentados de desempenho no trabalho: a meta-análise de Murray Barrick e Michael Mount, de 1991, foi a única das cinco dimensões a se mostrar consistente em todas as profissões estudadas. O DISC não promete nada disso e nem poderia. Ele mede comportamento, não desempenho.

Como o C pensa e decide

A decisão do estilo C tem um procedimento fixo. Primeiro critérios, depois dados, depois alternativas e só no fim a conclusão. Quem observa de fora vê atraso. Por dentro parece outra coisa: você não quer decidir rápido uma vez e depois corrigir três.

O preço disso é real. A busca por segurança sabe empurrar para depois uma decisão que precisava sair ontem e, quando a informação simplesmente nunca chega, a coisa fica pendurada. Quantas decisões você adiou no último mês por causa de um dado que no fim não recebeu?

Situação típica: um colega traz o orçamento com a observação de que é por alto e vai se ajustando no caminho. Em dez minutos você encontra ali três pontos que não dá para ajustar no caminho. Você tem razão. E, mesmo assim, sai da reunião como a pessoa desagradável, porque disse isso no momento em que todos estavam animados.

Por trás desse padrão há uma característica que as pessoas do estilo C raramente admitem: gostam de segurança mais do que de velocidade, mas não suportam quando a segurança se revela falsa. Por isso você prefere perguntar na hora a ficar calado e depois recolher os cacos.

O estilo C, aliás, costuma ser confundido com fechamento ou timidez. Não é a mesma coisa. Ritmo ponderado não significa que você fica calado, significa que você fala quando tem o que dizer. Pessoas de C alto que falam primeiro na reunião e sem meias palavras existem em maior número do que se imagina. A diferença em relação ao estilo D está no que as autoriza: não a posição, e sim o fato de terem verificado a coisa antes.

Pontos fortes e o avesso deles

No estilo C, a lista de fragilidades não é separada da lista de qualidades. É a mesma característica vista do outro lado.

Ponto forte Onde ele quebra
Você acha a falha do plano antes que ela apareça na prática Os outros passam a ver você como freio de plantão, mesmo com você tendo razão
Dá para confiar no seu material sem conferência extra Você confere pela quinta vez algo que já estava pronto na primeira
Você formula a crítica de forma objetiva e sem emoção O outro lado a escuta como condenação de qualquer jeito
Você mantém a qualidade mesmo onde ninguém conferiria O próprio erro você perdoa menos do que o de qualquer pessoa
Entusiasmo sem embasamento desperta em você uma desconfiança saudável Às vezes você mata uma boa ideia antes que ela tenha chance de amadurecer

Os pontos cegos que o C não vê

O primeiro e mais caro deles é a convicção de que os dados falam por si. Não falam. Quem recebe dez páginas de análise sem resumo lê em geral o primeiro parágrafo e decide pela impressão. O trabalho que você fez fica sem uso.

O segundo diz respeito ao tom. A frase “isso não fecha” é, para você, a descrição de um estado. Para quem escreveu a proposta, é uma avaliação do trabalho dela e, às vezes, dela mesma. A distância entre objetivo e duro é, no estilo C, bem menor do que você imagina.

O terceiro é o lado humano das coisas. Quando se define quem vai trabalhar no projeto, você olha competência e capacidade. O fato de duas pessoas não se falarem desde o contrato anterior não cabe na sua tabela, e no entanto vai pesar mais do que qualquer número dentro dela.

E há o silêncio na hora errada. Você vê que o plano caminha para um problema, mas espera que alguém pergunte, porque não quer falar sem embasamento completo. Costumam perguntar a você quando já é fato consumado.

Comunicação: sendo C e com um C

Quando quem comunica é você

Inverta a ordem. Primeiro a conclusão e a recomendação, só depois o caminho até ela. Ofereça os detalhes, mas não os imponha: “Recomendo a alternativa B, o motivo principal é o retorno em dezoito meses. Tenho o material pronto, se você quiser passar por ele.”

Nas ressalvas ajuda um detalhe: acrescente solução e prazo. A diferença entre “isso não vai dar” e “vejo dois riscos, os dois dão para tratar até sexta” é nula do ponto de vista dos fatos e enorme do ponto de vista de como as pessoas escutam você.

Quando você fala com alguém de C alto

Não conte com o entusiasmo, ele não vale como argumento ali. Traga números, um procedimento concreto e dê tempo para a conferência. Não leve as perguntas para o lado pessoal: é justamente por elas que a pessoa verifica se dá para confiar no seu trabalho.

Pressa sem motivo não funciona. Quando você realmente estiver com pressa, diga isso junto com o que está sendo sacrificado: “Preciso disso até amanhã, então me basta uma estimativa com margem de dez por cento.” A frase “o importante é ser rápido” provoca exatamente o oposto.

O que o estresse faz com o estilo C

Sob pressão você se enterra mais fundo em detalhes e conferências. Prefere continuar analisando a arriscar um erro, e essa estratégia funciona exatamente até o tempo acabar. Aí acontecem as duas coisas de uma vez: você perde o prazo e ainda assim vai ter um erro de digitação ali.

O sinal é fácil de reconhecer. Quando você verifica pela quinta vez algo que estava certo na primeira, o assunto já não é qualidade, é ansiedade. Nessa hora ajuda definir de antemão qual grau de certeza basta e então decidir com o que se tem.

A segunda manifestação de estresse é mais silenciosa e em geral passa despercebida. Você se retira da comunicação, porque explicar consome o tempo de que você precisa para trabalhar. A equipe, porém, interpreta isso à maneira dela, em geral como discordância ou desinteresse, e começa a deixar você de fora das decisões. Você então descobre que as coisas andaram sem você, e isso reforça a ideia de que deve se enterrar ainda mais fundo. Esse círculo se rompe com uma frase dita em voz alta: quando você vai terminar e do que precisa até lá.

Quatro arquétipos com C alto

Um C puro aparece raramente no teste. A maioria das pessoas tem, além do estilo primário, um secundário, e é ele que determina como a precisão se parece na prática. Da combinação do estilo primário com o secundário nascem dezesseis arquétipos, destrinchados no artigo sobre perfis combinados.

  • Cientista (C puro): a conscienciosidade supera com folga os outros estilos e aparece em tudo o que ele entrega. O preço é adiar decisões em nome da segurança.
  • Engenheiro (C com dominância): conclusões pensadas, que ele sustenta com firmeza. Precisa cuidar para que a certeza não vire teimosia.
  • Divulgador (C com influência): sabe pensar as coisas a fundo e passá-las de forma compreensível; as pessoas gostam de aprender com ele. A tensão nasce por dentro, entre a necessidade de ter razão e a vontade de ser querido.
  • Relojoeiro (C com estabilidade): um trabalho que ninguém precisa conferir depois. O risco é falar tarde demais.

A conscienciosidade aparece também como estilo secundário e muda com isso o sentido do primário. O Timoneiro é a dominância resfriada pelo plano, o Curador é a estabilidade com ordem, e o Facilitador é a influência que cuida para que os argumentos se sustentem. Qual perfil combina com você é o que mostra o teste DISC: trinta e duas perguntas em cerca de cinco minutos.

Onde o estilo C brilha e onde ele vai sofrer

Combinam naturalmente com você os ambientes em que a precisão vale mais que a velocidade: finanças e contabilidade, análise de dados, TI, direito, controle de qualidade, pesquisa. Eles têm em comum critérios claros, tempo suficiente e o fato de um erro ter custo visível, então o seu cuidado não é percebido como atraso, e sim como seguro.

Você vai sofrer, ao contrário, onde se decide com metade da informação e se improvisa no caminho. Funções com interrupção constante, ambientes com o lema “de algum jeito vai dar certo” ou uma área comercial em que se vence pela energia e não pelo argumento tiram de você a paz e o rendimento. Isso não significa que você não possa fazer esse trabalho. Significa que ele vai custar muito mais energia do que custa ao colega de estilo I, e isso cedo ou tarde aparece. As funções por estilo estão detalhadas no artigo sobre carreira segundo o DISC.

Como os outros três estilos veem você

Estilo O que valoriza em você O que o irrita em você
D (Dominância) Que não precisa conferir nada depois de você O ritmo. Ele quer a conclusão, você oferece o procedimento
I (Influência) Que você segura as coisas de que ele não gosta Que você desmonte a ideia dele antes que ele termine de contá-la
S (Estabilidade) A ordem e a garantia de que nada se perde Que as ressalvas ao trabalho dele soem como ressalvas a ele

Com a dominância basta resumir a conclusão logo no começo e combinar onde a conferência é obrigatória e onde basta uma estimativa. Com a influência funciona uma única ordem: primeiro reconhecer a ideia, depois acrescentar os fatos e perguntar o que vocês vão fazer com os riscos juntos. Com a estabilidade a questão é o ritmo; explique as mudanças e pergunte a opinião diretamente, porque ela não será dita sozinha. As formulações concretas para cada estilo estão no manual de comunicação com os estilos DISC.

Se de todo este perfil você fosse testar uma única coisa, que seja esta: da próxima vez que encontrar um erro no trabalho de alguém, comece com “essa é uma boa base, tenho duas observações” e só então nomeie as duas. Os fatos continuam os mesmos. Muda o quanto deles o outro lado leva embora.

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