A reunião já dura quarenta minutos e continua girando em torno da mesma pergunta. Então uma voz se levanta: “Então é a alternativa B, prazo sexta, responsável é o Pedro. Próximo item.”
Metade da sala respira aliviada. A outra metade tem a sensação de ter sido atropelada.
As duas reações estão certas. Você acabou de ver em ação o estilo D, ou seja, a dominância, o mais rápido e mais direto dos quatro estilos de comportamento do DISC.
Como o D pensa e decide
O DISC não mede capacidades nem inteligência. Ele descreve comportamento, isto é, como a pessoa se manifesta quando tem escolha. Apoia-se em dois eixos: em que ritmo você se move e se a sua atenção é puxada mais pelas tarefas ou pelas pessoas. O estilo D fica no cruzamento do ritmo rápido com a orientação para a tarefa.
O modelo parte do livro Emotions of Normal People, publicado em 1928 pelo psicólogo americano William Moulton Marston. O próprio Marston nunca montou um questionário; o que lhe interessava era como pessoas saudáveis reagem a ambientes favoráveis e desfavoráveis. O primeiro teste construído sobre as quatro categorias dele só apareceu nos anos 1950, com Walter Clarke. De onde veio o modelo inteiro e o que dele se sustenta hoje é assunto do guia do teste DISC.
Para o estilo D, decidir é um ato operacional, não um evento. Onde os outros veem risco, ele vê obstáculo, e obstáculo dá para contornar ou atravessar. Por isso decide com o que tem na mesa: material incompleto e prazo claro são para ele uma combinação melhor do que uma análise perfeita daqui a três semanas.
O outro lado é igualmente legível. O D precisa de mão livre e de um objetivo claro. Assim que alguém descreve o procedimento passo a passo, ele perde o interesse, porque a microgestão não chega como ajuda, e sim como desconfiança. E ele não pede confiança em palavras: deixa isso claro parando de relatar o que está fazendo.
Essa configuração tem um efeito colateral de que pouco se fala. A rapidez da decisão cria uma impressão de segurança, e segurança se comporta de forma contagiosa dentro de uma equipe. Quando o D diz “vamos nessa”, muita gente para de procurar argumentos contrários, mesmo tendo alguns na ponta da língua.
Quando foi a última vez que você adiou uma decisão porque faltava um dado? E o quanto esse dado mudou a decisão no fim?
Pontos fortes e o avesso deles
As fragilidades do estilo D não são um grupo separado de características que ele teria a mais. São os mesmos pontos fortes deslocados um grau além do que é útil naquela situação.
| Ponto forte | Onde ele quebra |
|---|---|
| Decide mesmo quando ninguém mais quer decidir | Decide antes que dê tempo de ouvir o que a equipe sabe |
| Diz em voz alta o que os outros apenas intuem | O que pensa como objetivo cai no outro como sentença |
| Na crise mantém a direção e não desmorona | Quando não há crise, sabe fabricar uma; na rotina calma se entedia |
| Assume a responsabilidade pelo resultado, inclusive o dos outros | Acaba fazendo o que era dos outros e depois estranha a passividade deles |
| O conflito não o paralisa | Esquece a discussão em cinco minutos; o outro lado ainda a remói no dia seguinte |
A linha que mais quebra é a última. O estilo D sai de uma troca áspera com a sensação de que o assunto ficou claro e a vida segue. Nesse meio-tempo o colega escreve para a esposa perguntando se é hora de começar a procurar outro emprego. Mesma cena, duas experiências completamente diferentes.
O ponto cego: por que as pessoas param de discordar de você
A descoberta mais interessante sobre dominância não vem de testes DISC, e sim da psicologia social. Cameron Anderson e Gavin Kilduff, em 2009, acompanharam pequenos grupos de trabalho durante uma tarefa comum e mediram quem ganhava influência dentro deles. As pessoas com alto grau de dominância ganhavam de forma consistente. Mais importante, porém, foi outra coisa: colegas de grupo, observadores independentes e pesquisadores as avaliavam como mais competentes, e isso mesmo depois de descontado o desempenho real delas.
O comportamento dominante, portanto, é lido como competência antes que dê tempo de mostrar se existe alguma por trás. Para o estilo D isso traz uma notícia desagradável. Parte da concordância que ele vê em volta não é concordância com a proposta dele. É reação à segurança com que ele a enunciou.
A segunda descoberta é ainda mais concreta. Adam Grant, Francesca Gino e David Hofmann, em 2011, compararam o lucro de lojas de uma rede de entrega de pizza conforme o quanto o gerente de cada uma se impunha. Onde os funcionários eram mais passivos, os chefes enfáticos se saíam melhor. Onde os funcionários chegavam por conta própria com ideias, o resultado se invertia e as lojas de liderança mais discreta lucravam mais. Os autores explicam isso de forma simples: o líder que dita a direção sozinho recebe pior os estímulos que vêm de baixo. O estudo não media DISC, e sim extroversão na liderança, na qual o estilo D costuma pontuar alto.
Na prática, isso significa que o estilo D funciona muito bem em uma equipe que espera instruções e pior justamente onde tem gente autônoma em volta. Ou seja, exatamente na equipe que a maioria dos D gostaria de ter.
O que acontece com o D sob estresse
Sob pressão o estilo D não desacelera, ele endurece. Aumentam as ordens, diminuem as perguntas, e o líder vira trator sem perceber. O sinal não chega de fora como reclamação, chega como silêncio: na reunião ninguém interrompe você e tudo passa de primeira. Em geral isso não é concordância, é desistência.
Quatro arquétipos com D alto
Um D puro é raro. O resultado do nosso teste DISC se monta a partir de 32 perguntas e, ao lado do estilo mais forte, conta também o segundo colocado. Se ele estiver até 15 pontos do primeiro, forma dupla com ele, e assim surgem 16 perfis: quatro puros e doze combinações. Com o estilo D em primeiro lugar, são estes quatro:
- Conquistador (D puro): a dominância supera com folga o resto e aparece em qualquer situação. Rapidez e responsabilidade na forma mais pura, junto com o risco de correr rápido na direção errada.
- Desbravador (DI): à decisão se soma a capacidade de arrastar os outros. Ele não testa coisas novas em silêncio, conquista todo mundo em volta para elas. Precisa cuidar para que o ritmo e a força de convencimento deixem espaço também para as vozes mais quietas.
- Maratonista (DS): o impulso pelo resultado se encontra com uma persistência tranquila, então as coisas não só começam como também chegam ao fim. Sabe apertar sem deixar terra arrasada atrás de si.
- Timoneiro (DC): decisão mais a necessidade de ter tudo pensado. Não empurra às cegas, e sim conforme o plano; conhece os números e a variante reserva. O ponto fraco costuma ser o lado humano.
O D também aparece em segundo lugar, onde funciona como motor sob outra superfície. O Mobilizador (ID) entusiasma e logo em seguida organiza; o Concretizador (SD) entrega em silêncio o que prometeu; o Engenheiro (CD) sustenta a própria proposta com firmeza. A ordem das letras muda muita coisa, e o quanto exatamente está nos perfis DISC combinados.
Se você aposta que o D lidera em você, mas não tem certeza, faça o teste DISC; são 32 perguntas em cerca de cinco minutos.
Como se entender com o estilo D
Os outros estilos valorizam no D quase a mesma coisa que os tira do sério. A diferença está só no que exatamente dói neles no ritmo dele.
| Estilo | O que valoriza no D | O que o irrita nele |
|---|---|---|
| I (Influência) | A coragem e o ritmo com que as coisas se movem | Que se passe à decisão antes de ele terminar de contar a ideia |
| S (Estabilidade) | A garantia de que alguém decide e assume | Pressão e mudanças súbitas; o silêncio dele o D lê como concordância |
| C (Conscienciosidade) | Direção clara e a capacidade de encerrar o debate | Decisão sem embasamento e a má vontade com uma segunda conferência |
| D (Dominância) | Conversa reta, sem circular em volta do tema | A disputa por quem dá a última palavra |
Quando você trata com um D
Comece pela conclusão e pela recomendação; ofereça os detalhes só quando ele pedir. Em vez de uma pergunta aberta, dê duas alternativas para escolher, porque o D gosta de decidir e não gosta de procurar. E, principalmente, diga em voz alta o que você precisa; uma ressalva não dita, para ele, não existe.
Três frases no começo do e-mail decidem se ele vai ler até o fim. Compare “queria saber se por acaso você teria um tempinho para conversar sobre o orçamento” com “o orçamento está 40 mil acima, tenho duas alternativas de solução, preciso da sua decisão até quinta”. Mesmo pedido, resultado oposto. O manual para os outros três estilos está no artigo sobre como falar com cada estilo DISC.
Quando o D é você
O ajuste mais eficaz é chato e custa dez segundos. Ao terminar de expor a proposta, fique em silêncio. Esse silêncio, desconfortável para você, é o único espaço em que os colegas mais lentos conseguem falar.
Depois, pergunte de forma dirigida. “Alguém tem alguma coisa?” é, para os estilos S e C, uma pergunta sem resposta; “Beatriz, onde você vê a maior fragilidade desse plano?” já recebe resposta. E separe a divergência objetiva da relação, porque o que para você é operação normal o outro lado vive como ataque. Por que a maior parte dos choques entre estilos nasce assim está no texto sobre conflitos entre estilos DISC.
Carreira: onde o D brilha e onde ele se esgota
Liderança de equipes e de projetos, vendas, empreendedorismo, gestão de crises e todas as funções com prazo duro e resultado visível. Ali o estilo D não precisa de esforço especial, simplesmente faz o que faria de qualquer jeito.
Vai pior onde ele carrega responsabilidade sem autonomia. Um D que precisa entregar o resultado, mas não pode decidir, se esgota mais rápido do que com qualquer volume de trabalho. Igualmente o desgasta um ambiente em que tudo se aprova por consenso e uma mudança de procedimento se discute por três meses. Não é a quantidade de tarefas, é a sensação de que nada se move.
A história típica é assim. Uma líder de equipe competente é promovida a coordenadora de um projeto entre departamentos. Responde pelo prazo, só que não chefia ninguém e precisa negociar tudo. Seis meses depois, pede demissão, apesar de ter menos trabalho e salário maior. Não foi a carga. Foi poder apenas pedir.
Uma coisa merece ser dita em voz alta: estilo de comportamento não é teto de capacidade. O DISC descreve como você age, não o que você consegue fazer, então nenhuma profissão está fechada nem garantida para o estilo D. A comparação com os demais é sempre aproximada, não um diagnóstico.
Experimente uma coisa na próxima reunião. Quando a decisão estiver tomada, enuncie-a e então pergunte a uma pessoa específica o que não fecha nela. Espere a resposta, mesmo que o silêncio dure mais do que é confortável para você. A maioria dos D descobre com esse exercício mais sobre a própria equipe do que em um ano inteiro de reuniões.

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