Na segunda-feira o teste dos 16 tipos de personalidade diz que você é introvertido. Na quinta você faz o DISC e a sua pontuação mais alta está na Dominância, ou seja, no estilo que vai direto ao ponto e não foge do conflito. Qual dos dois resultados se enganou?
Nenhum. Cada um perguntou uma coisa diferente e os dois receberam uma resposta honesta.
A diferença cabe em uma frase. O DISC descreve o que se vê de você quando você está resolvendo algo concreto com alguém. A tipologia dos 16 tipos descreve o que acontece dentro de você antes de sair do lugar.
O que cada um desses modelos mede
DISC: o comportamento que os outros veem
O modelo vem do psicólogo americano William Moulton Marston, que em 1928 publicou o livro Emotions of Normal People. Ele não estudava pacientes, e sim pessoas comuns e as reações delas ao ambiente: se elas tomam o que está em volta como amigável ou hostil, e se diante disso se sentem mais fortes ou mais fracas.
A forma atual do modelo cabe em duas linhas. A vertical descreve o ritmo, ou seja, se você age de imediato ou precisa primeiro se ambientar. A horizontal descreve a orientação, isto é, se você gira mais em torno da tarefa ou das pessoas. Das quatro combinações saem Dominância, Influência, Estabilidade e Conscienciosidade. O modelo inteiro e a história dele estão no guia do teste DISC.
Sobre Marston costuma-se passar por cima de uma coisa: ele mesmo nunca montou um questionário. Isso coube ao psicólogo industrial Walter Clarke, nos anos 1950. O DISC é, portanto, uma descrição de comportamento e nada além. Ele não pergunta o que você pensa no caminho para casa, pergunta o que você fez na reunião.
Dezesseis tipos: as preferências que antecedem o comportamento
O segundo modelo cresceu a partir do trabalho de Jung sobre os tipos psicológicos. Na forma de quatro eixos e códigos de quatro letras, ele foi desenvolvido a partir dos anos 1940 por Isabel Myers e Katharine Briggs, filha e mãe, sem formação acadêmica em psicologia.
Os eixos são quatro. De onde você tira energia, das pessoas ou de ficar sozinho (E/I). O que você prefere ao perceber, dados concretos ou conexões e possibilidades (S/N). Com base em que você decide, na lógica ou no impacto sobre as pessoas (T/F). E como você lida com o mundo externo, ou seja, se quer ter decidido ou prefere manter as opções abertas (J/P).
O essencial é a palavra preferência. Ela não diz o que você sabe fazer, e sim o que custa menos energia. Uma pessoa introvertida pode ser excelente conduzindo uma reunião, só que depois precisa de uma hora de silêncio que a pessoa extrovertida não precisa após a mesma reunião.
Onde os dois sistemas se separam
| Pergunta | DISC | 16 tipos de personalidade |
|---|---|---|
| O que ele pergunta | Como você age na situação e o que os outros veem disso | De onde você tira energia, como percebe e com base em que decide |
| Unidade básica | Quatro estilos com pontuação, dos quais sai o primário e eventualmente o secundário | Quatro eixos binários, cuja combinação forma 16 códigos |
| Origem | Marston 1928; o primeiro questionário foi montado por Walter Clarke nos anos 1950 | A teoria de Jung, desenvolvida por Isabel Myers e Katharine Briggs a partir dos anos 1940 |
| Estabilidade no tempo | O comportamento muda com o papel e o ambiente; o resultado vale mais para esta fase | As preferências são tidas como relativamente estáveis, mas a pontuação de fronteira oscila |
| Onde ajuda mais | Comunicação, retorno sobre o trabalho, conflitos, composição da equipe, liderança | Autoconhecimento, escolha do ambiente, entender o que esgota você |
| Onde falha | Não diz por que você age assim nem o que acontece por dentro | Não diz o que você vai fazer no momento em que a reunião esquenta |
| O que fazer com o resultado já amanhã | Reescrever um e-mail conforme o estilo de quem vai recebê-lo | Reorganizar a semana para que a ordem das reuniões não suge você |
A linha mais útil é a última. O DISC dá um manual para a próxima hora, a tipologia dos 16 tipos mais para o próximo trimestre, e é justamente por isso que não faz sentido perguntar qual dos dois é melhor.
Por que os resultados podem parecer contraditórios
De volta à pessoa introvertida com Dominância alta. Nada ali se contradiz. A introversão diz de onde você tira energia, ao passo que a Dominância diz o que você faz quando o debate gira em círculos e alguém precisa decidir. Uma desenvolvedora que lê nas pausas e não vai a festa da empresa pode ser exatamente a pessoa que, na reunião de sexta, encerra meia hora de discussão com a frase “vai ser assim, quem me manda os números até amanhã”.
O segundo motivo é mais prático e diz respeito sobretudo ao DISC. Quando você responde a perguntas sobre comportamento, pensa quase sempre no trabalho. Só que o estilo que você tem treinado no trabalho não é necessariamente o que custa menos energia. Um gestor de quem se cobra decisão há anos vai confirmá-la honestamente nas respostas, mesmo que cada atrito o esgote por três dias. Por que a autoavaliação erra tanto e como ler o resultado está no texto sobre como descobrir o seu estilo DISC.
Tente lembrar a última semana. Você se comportou em casa de forma parecida com as reuniões? Na maioria das pessoas a diferença é maior do que se espera, e é justamente essa diferença a informação que nenhuma das duas tipologias enxerga sozinha.
O que a pesquisa diz sobre os dois modelos
Aqui nenhum dos dois sai com elogio sem ressalvas.
A tipologia dos 16 tipos tem a vantagem de ter sido estudada por décadas pela psicologia acadêmica. Robert McCrae e Paul Costa compararam, em 1989, as quatro dicotomias com o modelo Big Five e concluíram que cada uma delas corresponde razoavelmente bem a uma das cinco dimensões. Os eixos, portanto, medem algo real. O problema aparece no que se faz com o medido: a pontuação se distribui em torno do meio, mas a saída é uma letra binária. Na revisão de David Pittenger, de 1993, repete-se por isso um dado incômodo: ao preencher de novo depois de algumas semanas, cerca de metade das pessoas recebe um código de quatro letras diferente. A personalidade não muda, muda o arredondamento.
O DISC tem o perfil oposto. Os relatórios de validação dos questionários comerciais registram uma estabilidade razoável no curto prazo, mas depois de um ano a concordância afrouxa de forma perceptível. Em um modelo de comportamento isso nem surpreende, porque o comportamento realmente muda com um papel novo e uma equipe nova. Assim que a pergunta passa a ser se o resultado prevê desempenho no trabalho, a resposta é não, e os próprios editores desses questionários admitem isso.
Os dois modelos, portanto, esbarram no mesmo teto. Eles descrevem tendência, não capacidade, e a comparação com os demais é aproximada nos dois. O resultado é uma hipótese que você verifica em si mesmo no mês seguinte, não um diagnóstico.
Quando recorrer a qual
Puxe o DISC quando tiver diante de você uma situação concreta com uma pessoa concreta. O colega que não responde e-mails, duas pessoas da equipe que se chocam sempre no mesmo ponto da reunião, o retorno que toda vez termina em silêncio ofendido. Para essas coisas o modelo dá resposta em poucos minutos, porque trabalha com o que se vê. O nosso teste DISC tem 32 perguntas e, além das quatro pontuações, identifica um dos dezesseis arquétipos; as formulações concretas para cada estilo estão no texto sobre como falar com cada estilo DISC.
Deixe a tipologia dos 16 tipos para as perguntas que não duram uma hora, e sim anos. Por que um trabalho que você faz com facilidade suga você depois de seis meses. Se combina com você um ambiente em que se decide em movimento e o plano se reescreve dia sim, dia não. Do que você precisa para se recuperar de uma semana pesada. Para isso o teste dos 16 tipos de personalidade responde melhor, porque pergunta abaixo da superfície do comportamento.
- Precisa mandar uma mensagem desagradável e não sabe como formulá-la? DISC.
- Está pensando em mudar de área e não sabe o que abate você no trabalho atual? Dezesseis tipos.
- Está montando uma equipe para um projeto e quer saber o que vai faltar nela? DISC de novo.
- Não entende por que esgota você algo que a todos em volta parece normal? O outro lado.
Dezesseis contra dezesseis
Aqui espreita a armadilha em que cai quase todo mundo que faz os dois testes. O DISC também termina em dezesseis categorias. Elas nascem de outro jeito: a pontuação mais alta define o estilo primário, o segundo colocado conta como secundário se ficar até quinze pontos abaixo dele, e doze duplas mais quatro perfis puros dão dezesseis arquétipos DISC.
Esses dois dezesseis não têm nada em comum. Não existe nenhuma tabela de conversão verificada segundo a qual o Desbravador (DI) equivaleria a um código específico de quatro letras, e quem oferece uma tabela dessas está vendendo uma impressão de precisão. O Desbravador descreve alguém que decide e logo em seguida conquista os outros para aquilo. O código descreve como essa mesma pessoa processa informação antes de falar. Planos diferentes, perguntas diferentes.
As duas tipologias, além disso, dividem dois lugares onde não pertencem. O primeiro é a seleção como critério único, porque nenhum dos modelos mede capacidade nem desempenho, e ainda por cima o candidato responde do jeito que acha que se espera dele. O segundo é a desculpa. A frase “eu sou D, comigo simplesmente não dá para negociar” é o mesmo abuso da ferramenta que “eu sou P, então não me cobre prazos”, só que em outro idioma.
Quer experimentar essa diferença em você? Pegue três conversas do último mês das quais você saiu irritado. Em cada uma, escreva uma frase sobre o que incomodou no andamento: o ritmo, o tom, os números que faltavam, a conclusão apressada. Esse é o material para o DISC. E depois uma frase sobre o que você precisou para sair daquilo: silêncio, uma caminhada ou contar tudo a alguém na hora. Essa frase pertence aos dezesseis tipos, e nas três conversas ela costuma ser quase a mesma.

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